Desejando, sempre, honrar ao Senhor…

Essa angústia!

A fé. Gn. 22 1 – 10

Existem momentos em que o Senhor parece nos pedir mais do que podemos dar. Momentos em que Ele parece querer não somente quebrar nossos ossos, mas moer-nos até o pó. É como se a humilhação fosse o nosso lugar e que nunca deveríamos ter saído de lá. São momentos em que a misericórdia de Deus parece ter evaporado e dado lugar a uma justiça que em nada nos faz pensar no amor de Cristo. E a nossa fé acaba dando lugar para a angústia.

Essa angústia estaria ilustrada no episódio do sacrifício de Abraão. Esse relato bíblico indica a solidão e o abandono do homem voltado unicamente para a vivência da fé. O que Deus pede a Abraão – que ele sacrifique o único filho para demonstrar sua fé – é absurdo e desumano segundo a ética dos homens.

Mas existe uma coisa que Abraão viu em sua vida e que quase nunca conseguimos enxergar em nossas vidas. Não se trata, nesse caso, de optar entre dois códigos de ética, ou entre dois sistemas de valores. Abraão é colocado diante do incompreensível e diante do infinito. Ele não possui razões para medir ou avaliar qual deve ser sua conduta. Tudo está suspenso, exceto a relação com Deus.

O Salto da Fé

Abraão não está na situação do herói trágico que deve escolher entre valores subjetivos (individuais e familiares) e valores objetivos (a cidade, a comunidade). Nada está em jogo, a não ser ele mesmo e a sua fé. Deus não está testando a sabedoria de Abraão. A força de sua fé fez com que Abraão optasse pelo infinito.

Mas, caso o sacrifício se tivesse consumado Abraão ainda assim não teria como justificá-lo à luz de uma ética humana. Continuaria sendo o assassino de seu filho. Poderia permanecer durante toda a vida indagando acerca das razões do sacrifício e não obteria resposta. Do ponto de vista humano, a dúvida permaneceria para sempre. No entanto Abraão não hesitou: a fé fez com que ele saltasse imediatamente da razão e da ética para o plano do absoluto, âmbito em que o entendimento é cego. Abraão ilustra na sua radicalidade a situação de homem religioso. A fé representa um salto, a ausência de mediação humana, precisamente porque não pode haver transição racional entre o finito e o infinito.

Mas Abraão não se esqueceu da promessa de Deus. Seu filho Isaac, que significa sorriso, seria sua descendência para uma grande nação. Nós também não podemos esquecer de que Deus não mudou. Sua Palavra é sua promessa, selada pelo sangue de Cristo, fiel de geração em geração.

Gn. 22. 11 – 19

Jeremias 29. 11 – Tu És o Deus e eu sou o homem

Nós, cristãos, somos ensinados desde pequenos que não devemos amar mais qualquer coisa do que devemos amar ao Senhor. Não devemos adorar a nada, nem ninguém. Somente ao Senhor. E isso é tão forte que acabamos não amando nem adorando ao Senhor. Criamos um lugar tão reservado para Deus que nem mesmo Ele pode entrar por um só motivo: porque não O conhecemos como nosso Deus. Por não conhecermos a Deus, muitas vezes deixamos de colocar Ele no lugar que só pertence a Ele, da forma que aprendemos.

Amar a Deus é adorá-lo, e adorá-lo é entregar o que Ele deseja, não o que desejamos entregar.

Quando estamos fazendo a vontade de Deus e negamos a nossa, quando abandonamos o que temos de mais precioso para estar com Ele, Ele assume a posição que era nossa e faz o que não poderíamos fazer para nós mesmos. Deus te honrará em todas as coisas.

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