Desejando, sempre, honrar ao Senhor…

Princípios Básicos Para Uma Vida Cristã – Atos 4.13

Antes de falarmos sobre qualquer coisa é necessário perguntar: Você já esteve com Jesus?

Pois tudo o que será feito e dito depende disto. O que é necessário para que existam princípios?  Caráter.

Caráter é quem você é quando ninguém está olhando. É quando não existem máscaras e você faz exatamente o que quer e como quer.

Os princípios básicos para uma vida cristã começam com o caráter. Não o seu nem o meu que infectado com o pecado. Mas começa com o caráter de Cristo.

Somente os que já estiveram com Cristo conhecem o seu caráter, conhecem sua forma de pensar. Essa é a chave – ter estado com Jesus – por muitas vezes e constantemente, e não apenas alguns minutos por dia, e nem apenas ocasionalmente.

No capítulo 5 do livro de Mateus, Jesus está ensinando a uma multidão o que ficou conhecido como o Sermão da Montanha. Nele podemos ter grandes ensinamentos para a vida cristã de uma forma simples, como raramente experimentamos nos dias de hoje.

Desta forma Jesus torna para seus discípulos e com ênfase diz: “vocês são o sal da terra”. Na língua grega, o pronome é enfático: “vocês mesmos”. Jesus não estava falando de forma genérica, como quem aponta para a multidão e espera que cada um sinta-se responsável pelo que Ele está a dizer. De forma direta e contundente, Jesus apontava para os discípulos e afirmava que neles deveria haver uma diferença. Deveria haver algo que mudaria as coisas ao redor.

Jesus se referiu ao sal por um motivo simples: era um condimento comum, fácil de ser encontrado, fácil de ser percebido e preservava os alimentos. Antes que tivesse refrigeração ou outros métodos modernos para conservar os alimentos, para esse fim se empregavam muito o sal e as especiarias. Na antiga Palestina se usava sal quase exclusivamente para esse propósito e para sazonar a comida Jó 6: 6.

Do mesmo modo, o cristão, ao converter-se em instrumento para a salvação de outros por meio da difusão do Evangelho, exerce uma influência preservadora e purificadora no mundo. Os discípulos tinham de reconhecer que a salvação de seus próximos era sua primeira responsabilidade. Não deviam retirar-se da sociedade por causa de uma perseguição Mateus 5: 10 a 12 nem por outras razões, senão tinham de permanecer em estreita relação com seus próximos.

Porém, Jesus sabia do mal que o mundo poderia causar e que muitos cristãos se tornariam escândalo e deixariam de influenciar o mundo para serem influenciados por ele. Desta forma o discurso muda e Jesus começa a falar da falha do sal em não salgar.

“Mas se o sal perder o seu sabor”. Nada mais contrário à natureza do que algo que possui uma função ou característica deixar de sê-lo. Caso o sal perca seu sabor ou tornar-se insípido, deixa de realizar e suprir sua função mais básica: dar sabor ao alimento.

No contexto cristão, ao qual Jesus se referia, aqueles que deixassem de cumprir sua função mais básica, perderiam seu sentido em meio à sociedade. Deixariam de influenciar o meio em que vivem e não mais fariam diferença. No sentido original da palavra Jesus queria dizer que o cristão que se torna insípido ou perde seu sabor passa a ter um ato passivo de “ser ingênuo, tornar-se tolo, fazer tolices, perder o interesse”.

Em outras palavras, o cristão que permanece no propósito do seu Senhor não pode permitir-se viver de forma tola, onde suas atitudes deixem de refletir o caráter de Jesus para se parecer com a forma mais natural que está ao seu redor.

A próxima afirmação de Cristo mostra que uma vez perdido o sentido cristão na vida de uma pessoa nada mais pode devolvê-lo: “como restaurá-lo?” Quando da vida de um cristão desaparecem o amor, o poder e a justiça de Cristo, não há outra fonte da qual possa obter o que lhe falta.

Não existe maneira de justificar um cristão que perde a ação do caráter de Cristo em sua vida. Seus atos e palavras passam a revelar sua decadência e os frutos são claramente reconhecidos.

Se o cristão, ao converter-se em instrumento para a salvação de outros por meio da difusão do Evangelho, exerce uma influência preservadora e purificadora no mundo, aquele que abre mão da sua característica primeira passa a perder o sentido de suas atitudes perante Cristo e age para a própria condenação e escândalo do Evangelho.

Por isso o Senhor afirma: Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens”. Esta afirmação merece um pouco mais de atenção para ser interpretada de forma correta. Em João 6.37, Jesus afirma que jamais rejeitará aquele que vier até Ele. Porém, no texto acima, principalmente no destaque em negrito, Jesus declara que jogará fora o sal que perder o sabor, pois não serve mais para nada.

De acordo com o texto em grego, “ser jogado fora” significa ser lançado de forma mais ou menos violenta ou intensa, arremessado, rejeitado. Jesus não rejeitará aqueles que vierem a Ele, porém, o sal que perde seu sabor, ou o cristão que abandona a influência de Cristo para ser influenciado pela sociedade será rejeitado.

Ao que parece, o abandono do caráter de Cristo não é casual, mas sim uma escolha. Gradativamente o cristão que antes era fiel, vai deixando-se influenciar pelo meio onde está inserido, abrindo mão de princípios inegociáveis e perdendo o valor para o Reino. Correndo o risco de se tornar insípido e uma vez jogado fora, ou rejeitado, será pisado pelos homens.

Jesus continua seu ensinamento procurando mostrar agora a abrangência da vida cristã na sociedade. Ser cristão não é algo que se possa esconder. Se o sal serve para influenciar e dar sabor ao alimento tanto quanto o cristão revela um sentido à vida daqueles que o cercam, ser a luz do mundo mostra que o cristão vai sempre chamar a atenção e acaba estando em evidência.

O Mestre afirma que aqueles que são sal também são “a luz do mundo”. É desnecessário destacar que não haviam lâmpadas como as de hoje, porém a luz a que Ele se referia é a luz de uma chama de fogo e isso traz grande riqueza de detalhes.

A luz que nasce de uma chama pode ser controlada e ficar apenas brilhando e queimando o combustível de uma tocha ou de uma lamparina ou mesmo de uma vela. Porém, também pode acender uma fogueira ou até mesmo causar um incêndio, caso destinada a isso.

A luz a que Jesus se refere, de acordo com o termo grego, trata do conhecimento de Deus e das coisas espirituais exibido na vida e no ensinamento de alguém. Esse conhecimento pode ser passado de uma pessoa para a outra, assim como a luz ilumina os locais escuros ou uma fagulha pode acender uma fogueira.

Desta forma, cabe ao cristão irradiar o conhecimento prático de quem Deus é. Este ensinamento vai alcançar aqueles que o cercam, gerando calor e solução para o problema da falta de Deus.

Este “iluminar” as vidas acontece de forma natural, assim como é natural o fogo iluminar o que está ao seu redor, porém a chama não se acende por si só. É necessário que haja um mecanismo que cause a primeira fagulha. Esta é a ação do Espírito Santo que toca os corações convencendo da necessidade da iluminação, atraindo os que estão por perto para sentarem-se mais perto da luz e se aquecerem.

Ao se referir a “mundo” Jesus quis dizer que seus discípulos deveriam estar sempre por perto daqueles que não conhecem a Cristo. As palavras do Mestre parecem confirmar o fato de que aquele que permanece firme no caráter de Cristo não precisa temer à influência da sociedade.

Ao contrário da paternidade humana que busca afastar os filhos das influências que podem colocá-los nos caminhos da perdição, Jesus lança seus discípulos como “salva-vidas” e afirma que irá destacá-los para que todos os vejam: “Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte”.

Jesus insiste em dizer que as atitudes do cristão verdadeiro não poderão deixar de ser vistas. Elas chamarão tanta atenção quanto uma cidade edificada sobre o monte. No contexto judaico, era natural a busca por lugares altos para se construir cidades.

Lá do alto ficava mais fácil se proteger do inimigo que tentasse se aproximar. Por isso, ser edificado como era uma cidade indica propósito. Deus sabe exatamente onde deseja edificar, ou colocar cada servo para que ilumine aqueles que estão ao redor.

Pensando desta forma, Jesus justifica de forma muito natural, como se afirmasse mesmo um propósito óbvio: “ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha”. Nesta frase, o termo “acende” no texto grego, faz menção a incendiar. Ninguém incendeia algo para deixá-lo escondido. Perde o sentido de ser. Perde o motivo de existir.

Aquele a quem Deus deseja usar será exposto para que suas atitudes sejam vistas.  E ser visto é chamar atenção para Aquele que o enviou. Em todo o texto Jesus deixa claro que o dever do cristão é ser visto de forma diferente no contexto em que está inserido. A suas atitudes serão vistas e identificadas como uma cidade edificada sobre o monte e seu caráter influenciará aos outros assim como o sal realça o sabor da comida.

Como conseqüência Jesus insiste com os discípulos: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens”. Seria uma redundância Jesus se referir à luz insistindo que ela brilhasse. No original o termo tem o sentido de resplandecer, irradiar ou reluzir. Ou seja, Jesus insiste para que a luz dos seus discípulos brilhe mais do que qualquer outra coisa. Que os seus atos sejam reconhecidos de forma incomparável.

Por último Jesus encerra esta parte mostrando o exemplo que Ele mesmo dá ao vir entregar a sua vida por amor da humanidade. Longe de qualquer “prosperidade” humana, Jesus afirma que em momento nenhum “o sal da terra e luz do mundo” terão a glória.

Jesus exorta aos discípulos que a vida que eles levam deve ser diferente para que o Pai seja reconhecido: “para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”. O termo original indica o reconhecimento de Deus como realizador da atitude que influencia os outros e dá sentido à vida.

Glorificar ao Pai é responsabilizá-Lo pelo que foi realizado. Jesus veio para revelar o amor do Pai pelos perdidos. Da mesma forma cada cristão deve viver de forma que o mais incrédulo dos homens possa olhar para a sua vida e reconhecer que necessita deste mesmo Deus. Este é o cerne da vida cristã!

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